Letícia nos brinda com a história de Cecília, Ivan, Flora e vários
membros da Família Godoy que vive as voltas com a administração de um farol.
Flora surge como escritora da história e vai nos contada com a escrita
de seu livro os vai e vens e daquela família.
Até que abruptamente volta a ser personagem da própria história.
O que dizer mais deste livro da Letícia, quase nada, quase tudo,
deixemos que ela nos diga com a transcrição pura e simples da página 79.
"(...) Com as pessoas, as coisas acontecem do mesmo jeito. Alguns
indivíduos se destacam mais do que os outros. Falam mais alto, fazem mais
coisas, são mais rememorados pelos que vem depois, ganham medalhas, estátuas,
epitáfios. Eles vão e vem, atravessam oceanos, fundam colônias, constroem
impérios, derrubam pontes, ganham guerras e erguem países. Enquanto outros se
contentam em passar uma vida nebulosa na frente a uma escrivaninha fazendo
versos ou gastam as pestanas sobre um microscópio desvendando fungos. Há
aqueles que fecham os olhos e meditam por anos sem fim, e outros que deixam a
própria casa para cuidar de crianças órfãs na África. É a primeira categoria de
pessoas que move o mundo, que empurra para a frente rumo desse precipício que
chamam de progresso. Mas eu sempre me identifiquei com o segundo tipo de gente
- os tímidos, os poetas, os estudiosos, os sonhadores, os abnegados. Aqueles
que confortam o mundo, que o embalam no escuro da noite e curam as seus
feridas. As estrelas que brilham em segredo."
Estes parágrafos me fizeram refletir em como me classifico como
pessoa.

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